A estimativa da resposta sísmica de um intervalo litológico atravessado por poços é uma das pedras fundamentais de um bom trabalho de interpretação sísmica. Com tal propósito, antes de se iniciar a interpretação propriamente dita, utiliza-se construir o sismograma sintético, que corresponde ao resultado da modelagem da resposta sísmica em determinada área, normalmente para incidência vertical (embora o sismograma possa e deva ser gerado, considerando-se as variações decorrentes do afastamento fonte-receptor que também estão presentes no dado sísmico real) através do uso de informações de velocidade e densidade medidas em perfis de poços. Sua construção exige ainda a estimativa de um pulso sísmico que pode ser matemático (por exemplo um pulso de ricker com 20 Hz), ou estimado a partir dos dados sísmicos disponíveis. Tal prática serve a vários propósitos, dos quais podemos citas os mais importantes:
• Durante a fase de processamento sísmico, por exemplo, sua construção pode ajudar na avaliação da eficiência de etapas como a deconvolução ou o tratamento de amplitudes;
• Na interpretação será utilizado para correlação da litologia atravessada pelo poço (em profundidade) com sua expressão no dado sísmico real (em tempo – figuras 4.1 e 4.4), e conseqüente identificação do comportamento sísmico de interfaces litológicas (se uma determinada interface corresponde a um coeficiente de reflexão positivo ou negativo e definição da sua intensidade);
• Investigação dos limites de resolução do dado sísmico, isto é, se o dado sísmico disponível possibilitará ao intérprete individualizar a reflexão do topo e da base de determinado alvo litológico;
• Investigar a convenção de polaridade de um dado sísmico cuja convenção seja desconhecida;
• Se na área estão disponíveis vários poços, com respectivos perfis de velocidade e densidade, o interprete poderá construir vários sismogramas, para avaliar a variabilidade da sismofácie associada à determinada interface. Isso o ajudará durante a interpretação, a admitir tal variabilidade durante o processo de rastreamento das interfaces;
• Em processos como o da inversão do dado sísmico, para estimativa da função impedância a partir dos dados de amplitude, a construção do sismograma será necessária para estimativa da wavelet e calibração do processo de inversão;
• Se a correlação do sismograma sintético com o dado sísmico for satisfatória, o perfil sônico (de velocidades) usado na sua construção pode ser usado (através da integração dos tempos de trânsito em cada intervalo) para construção de uma relação tempo-profundidade que permitirá ao intérprete traduzir toda a litologia atravessada pelo poço, na sua posição em tempo na seção sísmica;
• A classificação de sismofácies características de determinados intervalos litoestratigráficos também se vale da construção de sismogramas sintéticos e correlação das eletrofácies com a resposta sísmica do intervalo.
quinta-feira, 24 de março de 2011
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