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domingo, 19 de dezembro de 2010

Confiabilidade das estimativas de produtividade de uma reserva de petróleo

A notícia abaixo lança luz sobre uma questão complexa: Qual a capacidade produtiva de um campo de Petróleo?



Se quisermos ser precisos podemos dizer que isso só será revelado ao final do esgotamento de todo o petróleo existente naquela concessão... Isso porque no início da atividade de produção de uma reserva o nível de incerteza ainda é alto, relacionado na sua maior parte ao desconhecimento e a complexidade do reservatório. Porem estimar a produtividade tambem passa por questões estratégicas dos seus donos majoritários, muitas vezes atentos ao impacto de taqis notícias na valorização de suas ações no mercado, da demanda do mercado consumidor e do seu reflexo no preço do barril, do desenvolvimento tecnológico, especialmente importante em novas fronteiras, dentre outras. Portanto não é surpreendente, conforme  notícia abaixo, a existência de divergências sobre este tipo de previsão na fase juvenil da produção uma concessão. Nesse processo o expertize e autonomia de certificadores independentes pode ajudar a dirimir incertezas, que como dissemos tambem irão diminuir com o tempo de produção.

AE - Agencia Estado


SÃO PAULO - A proximidade do fim do prazo exploratório do campo gigante de Tupi acirrou uma guerra de informações entre a Petrobras e sua principal parceira no pré-sal da Bacia de Santos, a britânica BG. Em dois meses, a BG divulgou dois comunicados que desagradaram à direção da Petrobras, por conterem projeções mais otimistas a respeito de volume de reservas e custos relativos ao projeto.

Por trás dessa briga, segundo analistas, estão grandes divergências estratégicas entre as duas empresas. Cansada de esperar por atualizações das estimativas oficiais, feitas em 2007, a BG quebrou o protocolo e decidiu publicar suas próprias projeções, que falam em reservas próximas a 9 bilhões de barris e custos bem abaixo dos US$ 40 por barril usados pela estatal na avaliação do projeto.

O embate começou no início de novembro, quando a BG divulgou comunicado informando que uma nova análise feita pela certificadora independente Miller and Lents Ltd. (MLL) ampliava em 2,7 bilhões de barris as estimativas de reservas para seus ativos na Bacia de Santos. O estudo diz que as melhores projeções para Tupi apontam para 8,99 bilhões de barris de petróleo e gás.

Na semana passada, a companhia divulgou nova nota, dizendo que, "à luz das impressionantes características do reservatório e da alta produtividade dos poços", estava calculando os custos do projeto em US$ 14 por barril - US$ 5 referentes ao custo de capital e US$ 9 por barril de custo operacional.

Os comunicados provocaram reação instantânea da Petrobras. Em sua última resposta, a companhia reafirmou que mantinha suas estimativas iniciais: reservas entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris e viabilidade econômica com petróleo entre US$ 35 e US$ 40 por barril. No texto, ressaltava que a BG descumpriu o contrato de sociedade no projeto, que tem ainda a participação da portuguesa Galp. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.